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Retinopatia diabética e BPC: o que a lei realmente considera

Se você tem retinopatia diabética e está pensando em pedir o BPC, o ponto central não é o nome da doença. A análise passa por como a sua limitação afeta a vida diária, as barreiras que você enfrenta e a renda por pessoa da família que mora com você. Veja como a lei organiza esses critérios.

Por Vitor Campos Silveira — OAB/BA 51.736Atualizado em

Quando a doença não é o que decide

Para o BPC, o que importa não é ter um diagnóstico específico, nem existir uma lista de doenças que “dão direito”. A lei fala em impedimento de longo prazo que, junto com barreiras, pode dificultar sua participação plena na sociedade.

Na prática, isso significa que duas pessoas com o mesmo problema de visão podem viver situações bem diferentes. O que pesa é como você funciona no dia a dia e quais obstáculos aparecem na sua rotina.

Diagrama das duas portas de entrada do BPC — 65 anos ou deficiência — e o limite de renda de um quarto do salário mínimo por pessoa da casa
Visão geral do caminho até o pedido e do que costuma ser avaliado.

Renda por pessoa: o critério básico

A lei considera o critério de renda familiar mensal por pessoa quando ela é igual ou inferior a 1/4 do salário-mínimo. Estar exatamente no limite também entra, porque a redação fala em “igual ou inferior”.

A lei permite que o regulamento amplie o limite de renda por pessoa do BPC até 1/2 salário-mínimo, observados aspectos previstos na própria lei. Essa ampliação é uma possibilidade do regulamento, e não um direito automático de quem está entre esse limite e 1/2.

Na avaliação de vulnerabilidade para essa ampliação, a lei manda considerar o grau da deficiência, a dependência de terceiros para atividades básicas da vida diária e o comprometimento do orçamento familiar exclusivamente com gastos médicos, tratamentos, fraldas, alimentos especiais e medicamentos não fornecidos pelo SUS.

Lista ilustrada do que separar antes de pedir
Exemplo de como organizar as informações da casa para fazer a conta por pessoa.

Quem entra na conta da família que mora com você

Para o BPC, a lei define um grupo familiar fechado e exige que as pessoas vivam sob o mesmo teto. Entram, por exemplo, você, cônjuge ou companheiro, pais e, na ausência de um deles, madrasta ou padrasto, irmãos solteiros, filhos e enteados solteiros e menores tutelados.

A mesma regra deixa claro que filho casado que mora junto não entra nesse grupo, e que parente que não mora sob o mesmo teto não entra na conta.

A composição do grupo familiar do BPC é limitada a quem vive sob o mesmo teto, dentro do rol previsto na lei. Por isso, erros nessa lista podem mudar a renda por pessoa usada na análise.

Se o seu caso é de pessoa idosa

O BPC garante um salário-mínimo mensal à pessoa idosa com 65 anos ou mais, desde que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.

Nessa situação, a atenção costuma ficar na renda por pessoa e na realidade de sustento da casa, além de documentos que ajudem a mostrar como a família vive.

Se o pedido foi negado, por onde começar a revisar

Quando chega um “negado”, você pode começar separando o motivo principal: se foi por renda, por quem entrou na conta da casa, ou por como entenderam suas limitações no dia a dia.

Diagrama do caminho depois de um pedido negado
Mapa simples do que costuma ser checado depois de uma resposta negativa.

Fontes conferidas

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Com DDD

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